Governo lança diretrizes para reduzir procedimentos desnecessários no parto

 

Por Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil  Brasília

O Ministério da Saúde lançou uma série de diretrizes no intuito de reduzir procedimentos considerados desnecessários e melhorar a qualidade do atendimento durante o parto. As recomendações incluem a adoção de técnicas para alívio da dor e a contraindicação da chamada manobra de Kristeller, que consiste em empurrar a barriga da mãe para auxiliar na expulsão do bebê.O documento, que será apresentado oficialmente às 15h, durante cerimônia pelo Dia Internacional da Mulher no Palácio do Planalto, prevê que todas as maternidades, casas de parto e centros de parto normal do país incorporem medidas para tornar mais humanizado o atendimento à mulher na hora do nascimento do bebê, tais como:

– Liberdade de posição: as gestantes podem escolher a posição mais confortável para ela na hora do parto
– Dieta livre: jejum não é obrigatório
– Presença de doulas e/ou acompanhantes
– Privacidade: respeito  à presença da família e intimidade da gestante
– Métodos de alívio da dor: banhos quentes, massagem e técnicas de relaxamento
– Direito ao uso da anestesia – podendo, inclusive, ser reaplicada
– Contato pele a pele imediato da mãe com a criança após o nascimento
– Evitar a separação mãe-filho na primeira hora após o nascimento para procedimentos de rotina como pesar, medir e dar banho

As novas regras também visam a reduzir altas taxas de intervenções desnecessárias, que deveriam ser usadas apenas em alguns casos, mas acabam comumente utilizadas. São elas:

– Episiotomia (corte no períneo)
– Uso de ocitocina (hormônio que facilita a saída do bebê)
– Cesariana
– Aspiração naso-faringeana no bebê

“A política lançada pelo Ministério da Saúde busca compreender o parto não só como um conjunto de procedimentos e técnicas, mas como um momento fundamental para a relação entre mãe e filho. Assim, a mulher passa a ser protagonista do seu parto”, informou a pasta, por meio de nota.

A difusão dessas informações, segundo o comunicado, fortalece o empoderamento da mulher nas decisões sobre parto e nascimento, inclusive na capacidade de cobrar o cumprimento das diretrizes dos profissionais de saúde.

Ainda de acordo com o ministério, as diretrizes estão voltadas à prioridade ao parto normal, considerado de menor risco para a saúde da mãe e do bebê, e acompanham as mais recentes evidências científicas. Elas foram elaboradas por um grupo de especialistas e colocadas em consulta pública, com 396 contribuições, sendo 84% feitas por mulheres.

Confira abaixo os principais pontos do documento:

– As mulheres devem ser informadas sobre os benefícios e riscos dos diversos locais de parto (domicílio, centro de parto normal, maternidade)

– As mulheres que optarem pelo parto em centro de parto normal devem ser apoiadas em sua decisão

– A assistência ao parto e nascimento de baixo risco que se mantenha dentro dos limites da normalidade pode ser feita tanto por médico obstetra quanto por enfermeira obstétrica e obstetriz. A inclusão da enfermeira obstétrica e obstetriz na assistência ao parto de baixo risco apresenta vantagens em relação à redução de intervenções e maior satisfação das mulheres

– As mulheres em trabalho de parto devem ser tratadas com respeito, ter acesso às informações baseadas em evidências e ser incluídas na tomada de decisões

– As mulheres devem ter acompanhantes de sua escolha durante o trabalho de parto e o parto, não invalidando o apoio dado por pessoal de fora da rede social da mulher (doulas, por exemplo)

– Mulheres em trabalho de parto podem ingerir líquidos e dieta leve

– Os métodos não farmacológicos de alívio da dor devem ser oferecidos à mulher antes da utilização de métodos farmacológicos

– O enema (lavagem intestinal) não deve ser realizado de forma rotineira durante o trabalho de parto

– A tricotomia (raspagem dos pelos) pubiana e perineal não deve ser feita de forma rotineira durante o trabalho de parto

– A amniotomia (rompimento da bolsa) precoce, associada ou não à ocitocina, não deve ser realizada de rotina em mulheres em trabalho de parto que estejam progredindo bem

– As mulheres devem ser encorajadas a se movimentar e adotar posições diferentes da posição deitada, no trabalho de parto e no parto

– A episiotomia (corte no períneo) não deve ser feita como procedimento de rotina

– Reconhecer que o período imediatamente após o nascimento é um período bastante sensível, quando a mulher e seus acompanhantes vão finalmente conhecer a criança. Assegurar que a assistência e qualquer intervenção que for realizada levem em consideração esse momento, no sentido de minimizar a separação entre mãe e filho

– A mulher deve ser informada sobre os riscos e benefícios do manejo ativo e expectante para a saída da placenta, e optar por um deles, salvo em situações onde o manejo ativo é imperativo

– O pinçamento do cordão umbilical não deve ser feito imediatamente, aguardando-se entre 1 e 5 minutos ou até cessar a pulsação, exceto se houver alguma contraindicação

– As mulheres devem ser estimuladas a ter contato pele-a-pele imediato com a criança e a amamentar, logo após o nascimento

– Não se recomenda a aspiração de secreções sistemática do recém-nascido saudável

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