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Conversar com os bebês, mesmo quando ainda estão na barriga,  fortalece o vínculo afetivo e é muito importante para o desenvolvimento intelectual e emocional, deixando marcas por toda a vida.  A partir do sexto mês de gravidez, a criança já consegue ouvir primeiro a voz da mãe, depois a do pai e os sons do ambiente ao redor.

Quando nasce, o bebê tem cerca de cem bilhoes de neuronios, que ele vai utilizar pelo resto da vida. O que causa o desenvolvimento não é a aquisição de mais neurônios, mas a formação de sinapses, ou seja, conexões entre esses neurônios de diferentes partes do cérebro. E o que desencadeia todas as sinapses são os estímulos do ambiente. Por isso é tão importante estimular todos sentidos das crianças, as expondo a situações variadas, sempre com delicadeza e sensibilidade.

A capacidade de compreensão dos bebês é muito maior do que consideramos, pois a atividade cerebral nos primeiros meses e anos de vida é muito intensa. Embora ainda se expressem pelo choro e pelo balbucio, já compreendem muito do que dizemos e quanto mais conversarmos, melhor vão se desenvolver.  Aqui estão alguns motivos:

 

NOMEAR O MUNDO

Os  bebês precisam ser acolhidos, precisam de adultos para nomear as suas sensações, objetos, pessoas, comidas, ou seja, o mundo. Por mais que estejam expostos a vários  estímulos, ainda não tem capacidade para reconhecer, nomear e interpretar tudo o que vivem. Quem faz isso, então, são os adultos que cuidam deles. Por meio da conversa, que deve acompanhar as atividades do dia a dia, os pais vão explicando que ele está chorando porque está com fome, ou que é o momento de trocar a fralda, além de contar para o bebê qual é o seu nome, apresentar a tia, o avô, avó, etc.

 

PALAVRAS, RITMO E  ENTONAÇÃO DA VOZ

Desde muito pequenas, as crianças  já percebem as diferentes entonações na voz, o ritmo da fala e sentem o cuidado por meio das palavras. Além disso, elas estão absorvendo informações, palavras do vocabulário e fonemas da língua materna para depois de um tempo começarem a reproduzir esses sons e palavras. Conforme conversamos, apresentamos um repertório de sons e os bebês vão conseguindo cada vez mais diferenciar se aquela é uma voz calma, agitada, apreensiva ou alegre.

 

SE SENTIR UM SER ÚNICO

Ao dialogar com as crianças, mostramos que as identificamos como  sujeitos, ou seja, como seres únicos que tem vontades, necessidades personalidade. Conforme nomeamos as suas sensações, as auxiliamos no processo de criação de identidade, processo esse que se desenvolve e modifica durante toda a vida mas tem como base os anos iniciais.  Mostramos também que as escutamos e estamos ali para cuidar delas, criando um vínculo emocional baseado na relação de confiança.
A CONVERSA ACOMPANHA OS OUTROS SENTIDOS

Os bebês precisam ser expostos aos diferentes estímulos para se desenvolverem e isso não acontece de forma isolada. Os cinco sentidos se desenvolvem de maneira conectada, então a fala deve acompanhar o olhar nos olhos, os toques de cuidado, de brincadeira, os cheiros e gostos. Quando for alimentar o bebê, é importante nomear os alimentos; quando for se afastar, explicar que vai ficar um pouco longe mas depois volta; quando for colocar na cadeirinha, narrar o que está fazendo, não na esperança de que assim ele não chore, mas confiando que a conversa o está ajudando a compreender o mundo.

 

Conversar com os bebês pode vir de forma natural para alguns  pais desde a gravidez ou para outros, parecer um pouco estranho no começo. Mas assim que iniciamos os diálogos com as crianças, abrimos um canal de comunicação a ser mantido por toda a vida. As falas não precisam estar presentes de forma excessiva, até porque momentos de silêncio fazem parte das relações e são benéficas em todas as idades. O ideal é que aconteçam de forma natural entre olhares, toques afetuosos, canções, cheiros e tudo o que permeia a relação.

 

Julia Brandão é  psicóloga e pedagoga, atua como curadora dos livros na Petitebook. É, psicóloga e pedagoga, apaixonada por livros e crianças. Acredita que os livros e as histórias são fundamentais para o desenvolvimento de todas as pessoas, não importa  a idade.

 

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