O objetivo é estimular os pais a incluírem esse hábito na rotina. Especialistas apontam que ler para a criança fortalece o vínculo e estimula a aquisição da linguagem no futuro. Saiba mais

Por Bruna Menegueço – Revista Crescer

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Folhear as páginas, admirar as ilustrações, sentir o cheiro do papel e descobrir uma nova história. Ler um livro é quase uma poesia. Agora imagine fazer isso para o seu bebê, desde os seus primeiros dias, com a certeza de ter uma série de benefícios em um futuro breve.

Essa é a nova recomendação da Academia Americana de Pediatria (AAP), baseada em muitos estudos que comprovam que ler para o seu filho – desde o nascimento – estimula o cérebro e reforça o vínculo entre filhos e pais. “As crianças desenvolvem a linguagem, o aprendizado da leitura e adquirem capacidades emocionais importantes para o resto de suas vidas”, explicou em nota a AAP. Para a pediatra Pamela C. High, autora da nova conduta, fortes evidências científicas mostram que o fato de o pediatra, durante a consulta, recomendar a leitura em casa pode fazer a diferença na vida das crianças e de suas famílias.

O escritor Ilan Brenman, doutor em educação e colunista da CRESCER, comemora a recomendação. Como autor de livros (Até as Princesas Soltam Pum, Clara, Telefone sem Fio)  e pai de duas meninas, a Lis, de 10 anos, e a Íris, 7, ele sabe como a literatura é capaz de criar vínculos fortes na família. “O bebê entende que aquele é um momento em que a atenção do pai ou da mãe é só dele e, com o tempo, pede pelas histórias. Foi assim com as minhas filhas que, com poucos meses, já engatinhavam pela casa em busca de livros e entregavam para mim ou para a mãe. Elas queriam ouvir histórias e nós éramos os portadores das palavras. Não existe relação mais bonita”, conta.

Para a psicóloga Melina Blanco Amarins, do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), a leitura deve ser um momento de prazer. “Para que isso aconteça, pai e mãe devem estar despreocupados, com a mente livre, para também curtir a história com a criança. E, por isso, não existe uma regra de horário ou do melhor jeito. Cada família vai descobrir o seu ao ver a expressão do bebê diante de uma voz diferente, de uma música, de uma gargalhada”, explica a especialista.

Quando se fala em desenvolvimento da linguagem que a contação de histórias proporciona às crianças, Ilan ressalta que, ao ouvir o pai ou mãe lendo um livro, a criança escuta um tipo de narração diferente da nossa fala coloquial, aquela que usamos no dia a dia. “Ela vai aprender palavras e expressões novas e vai guardar na sua memória para usar em um futuro breve.”

O melhor jeito de começar essa relação com seu filho é fazer uma visita a livrarias ou bibliotecas ainda na gravidez. Aqui no site CRESCER, você encontra a Lista dos 30 melhores livros infantis do ano, que pode ajudá-lo. Você vai descobrir que existem verdadeiras obras de arte na literatura infantil. Compre alguns, separe as suas histórias e personagens preferidos. Quando a criança nascer, apresente a ela e deixe que tenha contato com os livros. “Elas colocam na boca, fazem de cabaninha, exploram as obras de forma diferente. É assim que criam proximidade com o objeto e com as histórias”, completa Ilan.

E quando você tiver vontade de ler um livro para o seu filho, não se preocupe com a hora ou o lugar, apenas faça. Esse, certamente, vai se tornar mais um dos momentos inesquecíveis entre vocês!

4 dicas para contar histórias para bebês

– Na hora de apresentar um livro, escolha histórias curtas, mas que tenham um enredo que você também goste;

– Prepare o ambiente, coloque o bebê no colo e conte a história sem pressa;

– Bebês adoram histórias com repetição, grandes ilustrações, poemas e brincadeiras com palavras;

– Embora conheçam tudo com as mãos e a boca, não quer dizer que só precise ser de plástico para não estragar. Vá, aos poucos, ensinando que livro não se põe na boca, não se rabisca, nem rasga…

fonte: Revista Crescer